Goiás decreta emergência por avanço da SRAG e bebês somam 42% dos casos
Com 115 mortes registradas, estado monta centro de operações para conter avanço de vírus respiratórios e alerta para variante K da Influenza

O Governo de Goiás decretou situação de emergência em saúde pública nesta semana diante do avanço acelerado da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o estado. Dados atualizados até a tarde deste domingo (19) revelam um cenário preocupante para as famílias goianas: dos 2.671 casos registrados, 1.139 referem-se a bebês de até dois anos de idade, o que representa 42% do total de notificações. Além dos pequenos, os idosos acima de 60 anos compõem o segundo grupo de maior risco, respondendo por 18% das internações. Ao todo, a síndrome já causou 115 mortes no estado, motivando uma força-tarefa que deve durar pelo menos 180 dias.
A medida emergencial autoriza o governo a realizar contratações temporárias de pessoal e a aquisição de insumos médicos com dispensa de licitação para agilizar o atendimento nas unidades de saúde. "Tramitarão em regime de urgência e prioridade, em todos os órgãos e entidades da administração pública estadual, os processos referentes a assuntos vinculados ao decreto", estabelece o documento oficial. Para coordenar as ações, foi instalado um Centro de Operações que monitora a circulação de diferentes agentes biológicos, com destaque para 1.080 casos ligados a outros vírus e um alerta específico para a variante K da Influenza, que já predomina na América do Sul.
No Distrito Federal, o monitoramento também foi intensificado, embora as autoridades locais busquem tranquilizar a população. O secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante, afirmou que, apesar da circulação da nova variante, as vacinas atuais permanecem eficazes. "Até o momento, não há evidências de aumento da gravidade dos casos nem de perda de eficácia das vacinas disponíveis", declarou o secretário, reforçando que a dinâmica exige vigilância constante diante da possibilidade de novos picos nas próximas semanas. No DF, o cenário é considerado dentro do padrão sazonal, com 67 casos registrados e um óbito por Influenza até o momento.
Especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que o crescimento das hospitalizações em crianças pequenas é impulsionado, principalmente, pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Enquanto os casos de Covid-19 seguem em baixa, o VSR tem sido o grande vilão nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Como forma de prevenção, o Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação contra Influenza e Covid-19, além de destacar a nova vacina contra o VSR disponível para gestantes. "A população pode permanecer tranquila, mantendo a vacinação em dia", orientou a pasta, lembrando que a imunização é a principal barreira para evitar que casos respiratórios evoluam para quadros fatais.


