Prefeita do Rio Quente aposta em modelo técnico e busca consolidar novo ciclo administrativo
Em entrevista exclusiva ao Conexão Goiás, a Ana Paula revela como transformou o maior polo turístico do estado em referência nacional de educação e equilíbrio fiscal

Rio Quente é muito mais do que um fenômeno da natureza. Sob a gestão da jornalista e especialista em gestão turística Ana Paula(SD), o município tornou-se números chamativos. Em uma conversa franca e exclusiva com a reportagem do Conexão Goiás, a prefeita detalhou o "choque de gestão" que levou a cidade a resultados que chamam a atenção em municípios de pequeno porte: uma aprovação popular de 83% e o reconhecimento do Ministério da Educação (MEC) como uma das 23 cidades brasileiras de destaque no ensino integral.
O segredo, segundo ela, não está na sorte, mas na engenharia política e técnica. “Nós priorizamos o planejamento com um núcleo de engenharia e arquitetura para investir em projetos reais. Hoje, temos 13 secretarias ocupadas por perfis técnicos, o que nos permitiu equilibrar receitas e despesas de forma eficaz”, sustenta Ana Paula.
A educação como motor da economia criativa
O maior trunfo da gestão é a Escola Criativa. Enquanto muitos municípios lutam para manter o básico, Rio Quente saltou de um Ideb de 5.6 para 6.3. O dado é um marco para o Sul de Goiás e reflete uma estrutura de vanguarda: lousas digitais, laboratórios de ciências, auditórios e uma equipe multidisciplinar que inclui de professores de robótica a nutricionistas específicos para a rede.
Essa revolução educacional é parte de um conceito maior: a "Cidade Criativa". “Desde 2013, quando fui secretária de Turismo, trabalho esse conceito. Hoje, ele se materializa no ensino de tempo integral e em parcerias estratégicas, como o aporte anual de R$ 1 milhão junto ao SESI para levar a essência da iniciativa privada para dentro da administração pública”, revela a prefeita em exclusividade ao nosso jornal.
A política de moralizar o caixa
Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi a gestão da receita. Ana Paula não fugiu de temas impopulares, como a atualização do IPTU e a correção da tarifa de água. “Gestões anteriores omitiam receitas. Nós tivemos a coragem de ajustar a tarifa de água porque tínhamos empresários pagando tarifa social. E aí graças a organização nós conseguimos realmente a estação de tratamento de esgoto e atualmente nós estamos construindo também uma nova estrutura lá na estação de tratamento.”, explica.
Os resultados dessa "limpeza" contábil são auditáveis. Rio Quente conquistou o primeiro lugar no ranking da FIEG em gestão pública e a nota máxima de qualidade contábil no Tesouro Nacional. Na prática, isso se traduziu em fôlego para investimentos pesados: 90% da cidade recapeada, 29% de reajuste para o servidor público, reforma do hospital municipal, construção da Rua de Lazer no setor turístico com investimento de 1,5 milhão, 100% recursos próprios do municipio e mais 3 milhões garantidos para a reforma do portal de entrada da cidade e a construção da sede da secretaria de turismo.
Graças a parceria com o governo do Estado a cidade conquistou o recapeamento da GO-513 e a construção de 113 casas populares. Em parceria com o Governo Federal e investimento de mais de 5 milhões nos próximos dias daremos início a construção de uma nova creche no município
O desafio da continuidade
Questionada sobre o futuro político do grupo, Ana Paula é enfática sobre a necessidade de um sucessor que entenda o plano decenal da cidade. Para ela, Rio Quente não pode correr o risco de retroceder ao modelo de "improviso" administrativo. O conceito de cidade sustentável e humana, que hoje garante ao município o título de cidade até 30 mil habitantes mais segura do país (segundo o Instituto Áquila e Anuário de Segurança), depende de uma transição que preserve o corpo técnico e o planejamento.
A entrevista exclusiva para o Conexão Goiás deixa uma lição clara para os gestores da região: o turismo atrai o visitante, mas é a gestão técnica que segura o morador e transforma a vida da população.


