Crédito rural em Goiás recua 42,18% no início da Safra 2026/2027
Levantamento do primeiro trimestre do ciclo aponta encolhimento no volume liberado aos produtores e alerta para entraves na contratação de novos financiamentos no estado

Os liberação de recursos do crédito rural no estado de Goiás registraram uma queda de 42,18% nos três primeiros meses da Safra 2026/2027 (período entre julho e setembro). O dado consta no Relatório de Acompanhamento do Desembolso do Crédito Rural, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e divulgado nesta quinta-feira (22).
Além da retração acentuada nos financiamentos para a nova temporada, o levantamento acende um alerta para a saúde financeira do setor agropecuário goiano: 27,6% da carteira ativa de crédito rural no estado apresenta algum nível de dificuldade de pagamento.
Mapeamento do perfil e gargalos na contratação
O estudo técnico desenvolvido pela Faeg analisa de forma contínua a evolução do crédito rural em Goiás por meio da compilação de dados sobre o volume total de recursos aplicados, quantidade de contratos assinados, perfil dos produtores atendidos e finalidades das operações (como custeio, investimento e comercialização).
Segundo a análise da entidade, o avanço da inadimplência e das renegociações dentro da carteira ativa cria uma barreira em cadeia para o setor. O cenário de aperto financeiro reduz a capacidade de tomada de novos empréstimos junto aos agentes bancários justamente no momento decisivo para o plantio e a aquisição de insumos da safra.
Impactos para os produtores no Sul de Goiás
A contração da oferta e da tomada de crédito atinge diretamente regiões produtoras estratégicas do estado, incluindo polos do Sul de Goiás como Morrinhos, Itumbiara, Goiatuba, Buriti Alegre e Rio Quente, conhecidos pela expressiva produção de grãos e pecuária.
A combinação entre custos de produção elevados nos últimos ciclos, oscilações no preço das commodities e atrasos pontuais no início das chuvas tem pressionado a margem de lucro dos produtores locais, exigindo maior rigor no planejamento financeiro e no uso do capital próprio para a manutenção das atividades no campo.


