Pedidos de recuperação judicial no campo batem recorde e Goiás já é o 2º no ranking nacional
Levantamento da Serasa Experian aponta quase 2 mil solicitações em 2025; inadimplência em Goiás chega a 6,48% de uma carteira de R$ 80 bilhões

O agronegócio brasileiro enfrenta uma das maiores crises financeiras de sua história recente. Segundo dados da Serasa Experian, o número de pedidos de recuperação judicial e renegociações de dívidas por produtores rurais atingiu a marca histórica de 1.990 solicitações em 2025 — um salto de 56,4% em relação ao ano anterior. Goiás aparece como o segundo estado com maior volume de casos, respondendo por 15% do total nacional (296 pedidos), atrás apenas do Mato Grosso.
O segmento que mais preocupa é o do produtor rural pessoa física. Em 2021, essa categoria registrou apenas 13 pedidos; em 2025, esse número saltou para 853, evidenciando um endividamento acelerado do pequeno e médio produtor.
Causas da Crise
Especialistas apontam uma "tempestade perfeita" que atingiu o setor:
Fatores Climáticos: Secas prolongadas e chuvas intensas causaram quebras sucessivas de safra.
Mercado: Queda acentuada nos preços de commodities como soja, milho, carne bovina e leite.
Custos: Aumento nos insumos de produção, reduzindo a margem de lucro e a capacidade de pagamento.
Impacto no crédito
A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) monitora a situação com atenção. Segundo o gerente técnico da entidade, Edson Novaes, a inadimplência na carteira de crédito rural em Goiás chegou a 6,48% no final de 2025, considerando dívidas com mais de 90 dias de atraso. De um montante de R$ 80 bilhões disponibilizados, cerca de R$ 5,1 bilhões estão em atraso.
"O aumento dos casos pode afetar o sistema de crédito rural, gerando desconfiança e tornando os empréstimos mais caros e difíceis", alerta Fernando Barnabé, presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (AEAGO).
Medidas de socorro
Para tentar estancar a crise, a Faeg criou comitês jurídicos e grupos de trabalho para auxiliar na renegociação e alongamento de prazos. Até fevereiro de 2026, a principal ferramenta de suporte era a MP 1314/2025, que permitiu fôlego para o financiamento da próxima safra, apesar dos juros elevados (a partir de 15% ao ano).
Atualmente, a Faeg e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) articulam junto à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) novas propostas legislativas para condições de pagamento mais compatíveis com a realidade atual do campo.


